Lugar de mulher é na obra

A reportagem “Lugar de mulher é na obra” aborda o trabalho realizado pela arquiteta Carina Guedes na ocupação informal denominada Dandara em Belo Horizonte.
Em seu trabalho, Carina proporciona às mulheres o poder de decisão sobre suas habitações e estimula o empoderamento feminino, uma vez que as mulheres passam a se sentirem capazes de realizar não só o levantamento arquitetônico e a nova projeção da casa, mas também a própria mão de obra, fazendo com que elas vejam que podem realizar tarefas que acreditavam ser exclusividade da mão de obra masculina, como rebocar as paredes e trocar o piso. É importante notar que esse trabalho não é só uma questão da construção em si, de tornar as casas melhores, mas sobretudo, é uma mudança social. Trabalhos como este apontam o olhar do arquiteto sobre a população menos favorecida e realçam o poder que nós temos de alterar o quadro social e psicológico da mesma. As mulheres atendidas pelo projeto de Carina tornaram-se, além de aptas ao trabalho da construção, mulheres mais fortes, mais cheias de si e com uma auto estima melhor. As alterações físicas, por outro lado, proporcionaram uma melhoria na qualidade de vida ao  transformar as habitações.
Cabe ainda salientar que não é um trabalho no qual se possa tratar os casos isoladamente. Para que haja uma melhoria geral é preciso que vários profissionais de diversas áreas atuem juntos.
Gostaria de apresentar, nessa ocasião um trabalho que participo como voluntária na cidade de Sete Lagoas chamada Minha Casa Colorida. Este ano o programa vai para sua terceira edição e é um grande mutirão onde voluntários das áreas de \arquitetura, engenharia civil, psicologia e jornalismo atuam juntos, não só ensinando a população como realizar a mão de obra mas também ajudando-os. Todos colocam a mão na massa. Do processo de peneiramento da areia à pintura da fachada todos se divertem em 2 dias de muito trabalho e aprendizado. Enquanto os adultos estão na obra, trabalhos recreativos e avaliações psicológicas são feitas com as crianças em um galpão do bairro.

Como futura arquiteta, enxergo ali, uma motivação profissional, não só onde eu poderei ajudar os outros, mas também elaborar um plano de gestão profissional, atuando enquanto arquiteta em algo prazeroso e até então, raro e diferente do que a maioria dos profissionais da nossa área estão acostumados. 

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